24 de setembro de 2011

LAURO BACCA


"A margem do senso bom
Pode parecer meio difícil, à primeira vista, que o ambiente urbano possa contemplar o mundo natural, mas trata-se de uma meta que precisa ser perseguida. O mundo está se urbanizando rapidamente. Em nossa região, a conurbação se delineia e engloba principalmente Brusque, Gaspar, Blumenau, Indaial e Timbó. Essas conurbações rapidamente transformam-se numa gigantesca barreira de asfalto e concreto, impedindo a sobrevivência do mundo natural. Ou impedimos o avanço da urbanização ou o avanço da urbanização impedirá o futuro da vida. Ou, plano B, podemos conciliar as duas coisas. Ciente desta realidade a Onu/Unesco tem incentivado a implantação de Reservas da Biosfera Urbanas, como em Xalapa, México, que inspirou a proposta de criação de uma RBU em Florianópolis. A Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, criada em 1994, é um modelo próximo a esta proposta.

Encostas montanhosas impróprias para adensamento populacional e margens de rios em regiões urbanizadas se prestam maravilhosamente para implementação dessa moderna e necessária visão de sustentabilidade. Após a votação no Comitê da Bacia do Itajaí, insisto que a mata ciliar poderá voltar a existir na margem esquerda, enriquecendo o centro urbano com a diversificação da paisagem e permitindo às pessoas circularem nas futuras calçadas e ciclovias por entre as árvores nativas, apreciar garças, cormorões, sabiás, joões-de-barro, tirivas e papagaios, até jacus e jacupembas, claro, sem esquecer as capivaras e tantos outros bichos. A outra opção será oferecer à comunidade um espaço também belo, mas estéril do ponto de vista ambiental.

Torço ainda para que a margem esquerda se transforme, a looongo prazo (nada para desesperar os proprietários), num grande espaço público central de Blumenau entre a Rua Uruguai e o rio, como sugeriu a equipe técnica da Jica, sem deixar de exercer o papel de corredor ecológico.

Sei que esta proposta encobre e esconde uma obra, o que não é do agrado de nenhum administrador público. Mas se não deixarmos a mata ciliar ali, logo teremos outras obras de concreto em margens de rio em Blumenau, Gaspar, Rio do Sul e outras cidades, quando então a “nesguinha” de mata nativa desprezível se transformará numa “nesgona”, com grande impacto ambiental. Torço, para o bem maior de todos nós e do futuro de nossos filhos, que o prefeito decida pela obra certa, com proteção de margem, espaço público e ambiente natural. Afinal, vivemos em Blumenau e não na fictícia Sucupira de Dias Gomes.

Encerro com a frase de Aldo Leopold, perfeita para a polêmica da margem esquerda: “O ser humano tem dificuldade em compreender a função orgânica em todos os sistemas que ele não construiu. Daí permiti-lo a intromissão destruidora no meio ambiente pelos amadores, mas não permitir um amador bulir no seu valioso relógio”."

também publicado em www.santa.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Estão vendo onde é de suma importância a conservação da mata ciliar? Pois é..e tem "ambientalistas" aqui na nossa cidade querendo denunciar o corte de "arvores velhas destruidoras de calçadas que atrapalham os pedestres".
Cidade arborizada é muita bonita desde que tenha sido projetada para tal.

Anônimo disse...

BABACA!!